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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A DEFORMAÇÃO DA LEI Não é
possível deixar de admirar Márcio Thomas Bastos, o famoso advogado que ficou riquíssimo
na profissão pela sua competência. O artigo citado na Folha
de São Paulo é uma aula magna de Direito desde o ponto de vista de um
operador qualificado. Leigos como eu têm até dificuldades de acompanhar os
doutorais argumentos advocatícios. O fato é que
Márcio Thomas Bastos revela uma aguda percepção da deformação do nosso
sistema jurídico-penal. As afirmações duras assim comprovam: “A importância da advocacia criminal é
diretamente proporcional à tendência repressiva do Estado. Nunca o esforço do
advogado criminalista foi tão importante como agora”; “Desde que a democracia
suplantou o regime de exceção, em nenhum momento se exigiu tanto das pessoas
que, no cumprimento de um dever de ofício, dão voz ao nosso direito de defesa”;
Se em 2012 acentuou-se a tendência de vigiar e punir, o ano que se descortina
convida a comunidade jurídica a participar do debate público e a defender,
com redobrada energia, os fundamentos humanos do Estado de Direito”; “Não é de hoje que o direito de defesa vem sendo arrastado pela
vaga repressiva que embala a sociedade brasileira. À
sombra da legítima expectativa republicana de responsabilização, viceja um
sentimento de desprezo pelos direitos e garantias fundamentais”; “Ocorre
que, em 2012, a tendência repressiva passou dos limites. Ameaças
ao exercício da advocacia levaram ao extremo a “incompreensão” sobre o seu
papel social numa sociedade democrática”; “Um desses diabólicos
redemoinhos nos surpreendeu em agosto, com a pretendida supressão do habeas
corpus substitutivo. A Primeira Turma do STF considerou inadequado empregar a
mais nobre ação constitucional em lugar do recurso ordinário. O precedente repercutiu de imediato nos tribunais inferiores,
marcando um perigoso ponto de inflexão na nossa jurisprudência mais
tradicional”. O Márcio
Thomas Bastos do artigo é muito diferente daquele que foi apresentado na
revista Piauí: o apoiador do PT, o ministro do Lula,
o advogado riquíssimo e progressista que aderiu às esquerdas. O que o Márcio
não viu é que a turma do PT não convive pacificamente com o Estado de
Direito, não gosta de advogado burguês de burgueses e pensa o sistema
jurídico não do ponto de vista da sagrada liberdade dos cidadãos, mas da
vingança coletivista contra indivíduos que ousam ser o que são,
a despeito do Estado. A transgressão maior para um esquerdista é não depender
do Estado. No mundo
jurídico desenhado pelas esquerdas não há lugar como homens como Márcio
Thomas Bastos enquanto advogado, apenas como militante político que é. O
artigo é precioso porque vemos que ele se deu conta disso, que revelou o seu
espanto com a nova ordem. É claro que foram os legisladores que quiseram assim. Mas quem são os legisladores?
Eles mesmos, o PT e seus aliados. Eles que estão esculpindo a prisão jurídica
em que se transformou a Constituição e as leis. Mas foram também os juízes
que assim o quiseram, sobretudo os do Supremo Tribunal Federal – STF. Todos
ali, de alguma forma, alinham-se com a escola jurídica dos direitos humanos,
linha de frente das esquerdas mundiais. Todos são cúmplices, em maior e menor
grau, da ascensão do PT ao poder. Alguns são claramente militantes e já
deixaram claro que sua militância vem em primeiro lugar e é superior às
funções jurisdicionais. [João Paulo
Cunha jamais imaginou que mandar a mulher sacar a misera quantia de R$ 50 mil fosse coloca-lo na prisão e acabar com
sua carreira política. O crime de lavagem de dinheiro era para pegar
banqueiros e gente rica em geral, não membros da aristocracia do PT. Acontece
que os petistas enriqueceram no exercício do poder e que o sistema jurídico é
único e mesmo os companheiros togados não podem ignorar as leis. Deve ter
sido com espanto que se viu arrolado no processo do Mensalão.] É claro que a
lei está deformada no Brasil. E não apenas no Código Penal e no Código de
Processo Penal. Exemplo gritante desse estado de loucura jurídica é a Lei
Seca recém aprovada, que consagrou o instituto do pré-crime no Brasil. Melhor que a
inteligência jurídica de Márcio Thomas Bastos tenha acordado para a alucinação
em que se transformou o sistema jurídico brasileiro. Espero que a sua
inteligência moral possa ajuda-lo a leva-lo às devidas consequências: é
preciso fazer oposição ao legislador,
isto é, ao PT e seus asseclas. Terá coragem? Terá tutano? Duvido. Embarcou na
canoa revolucionária e dela não tem mais condições de escapar. Márcio
dificilmente tirará as consequências de seu corretíssimo diagnóstico do
sistema jurídico nacional. |
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