|
|
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
|
|
|
|
|
|
|
A CRISE POR PAUL KRUGMAN 25 de março de 2009 No artigo publicado no New York
Times e reproduzido na edição de hoje do Estadão (“Política financeira do desespero”) o laureado economista se
coloca contra o plano trilionário ontem anunciado
por Obama, que basicamente está sintetizado na
fórmula "cash for trash"
(dinheiro por lixo), ou seja, o governo Obama deixa
tudo como está e simplesmente faz o Tesouro perder dinheiro pela compra dos
ativos ditos “tóxicos” em poder dos bancos. Nas
palavras de Kurgman: “É mais do que uma decepção. Na realidade, isso me enche de desespero.
Afinal, acabamos de passar pela tempestade provocada pelas bonificações pagas
pela AIG aos seus executivos. Ao mesmo tempo, o governo não conseguiu dirimir
as indagações a respeito do que os bancos estão fazendo com o dinheiro dos
contribuintes”. Duas
coisas são importantes. Krugman deu-se conta da
enormidade da gravidade da crise, o que é positivo, pois sua voz é ouvida
pelos decisores do governo Obama.
Mas, infelizmente, se Krugman acerta no
diagnóstico, erra dramaticamente no remédio que propõe para a superação da
crise. Em artigo anterior eu sintetizei que basicamente existem duas maneiras
de compreender os fatos econômicos e Krugman
infelizmente está do lado errado do caminho. O laureado
economista aponta corretamente o grande engano do governo Obama:
“E agora Obama
aparentemente montou um plano financeiro que, em essência,
pressupõe que os bancos são fundamentalmente sadios e que os banqueiros sabem
o que estão fazendo. É como se o presidente estivesse determinado a
confirmar a crescente percepção de que ele e sua equipe econômica não têm
senso de realidade, que sua visão econômica está obnubilada
por vínculos excessivamente estreitos com Wall Street. Quando Obama se der
conta de que precisa mudar de curso, seu capital político talvez já tenha
desaparecido”. Obviamente
que os bancos estão quebrados, e não sadios, e estão deixando de desempenhar
suas funções. Sua constatação é precisa. Pena que não tira dela os corolários
lógicos. Se os bancos estão quebrados, fechem, deixem que outros tomem o seu
lugar. Krugman discorda em limpar com dinheiro
público os ativos insolventes dos bancos, mas em seu lugar quer fazer algo
ainda pior e moralmente condenável: quer que a propriedade dos bancos passe
ao Estado. Ora, essa varinha mágica não vai funcionar. Fazer o pagador de
impostos assumir o ônus da irresponsabilidade dos
banqueiros, por qualquer via, é imoral e é tecnicamente imprudente. Não servirá para combater sequer os sintomas da crise, quanto
mais as suas raízes. A única
maneira técnica e moralmente correta de combater a crise é deixar as coisas
se ajustarem via mercado. Quem quebrou, quebrou,
ponto final. Argumentos de tecnocratas apocalípticos, que querem ajeitar as
coisas agigantando o Estado não devem ser tolerados. É erro grave. O erro de Krugman está sintetizado no seguinte argumento: “Existe um procedimento consagrado pela
prática para tratar dos efeitos de uma crise financeira abrangente: o governo
assegura a confiança no sistema garantindo muitas dívidas dos bancos. E, ao
mesmo tempo, assume o controle temporário dos bancos, para limpar seus livros
contábeis”. Procedimento
consagrado uma ova! Sacerdotes do deus-Estado sempre aproveitam as crises
cíclicas para elevar o tamanho da Besta Estatal e o que Krugman
faz aqui é precisamente isso, receitar mais do mesmo veneno que está na raiz
da crise, o gigantismo do Estado. É preciso repudiar com toda a força esse
argumento. É chegada a hora do combate ao Estado Total.
Gente como Krugman não poder ser levada a sério. É
preciso cortar o mal pela raiz, reduzir o Estado, e não se fará isso
estatizando o sistema bancário. Krugman é daquele tipo de louco da anedota, com comportamento normal
que, ao final da conversa inteligente e bem informada, afirma ao interlocutor
ser o próprio Deus encarnado e que tem a salvação do mundo nas mãos. Está na
hora de se pôr esses embusteiros no devido lugar. É hora de se tomar a defesa
do livre mercado, a única solução verdadeira para a grave crise que está a
ameaçar a humanidade. |
|