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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A CONQUISTA
DA HONRA 10/02/2006 Fui ver o primeiro dos filmes
de Clint Eastwood sobre a
os combates dos EUA contra o Japão na Segunda Guerra, A CONQUISTA DA HONRA. Confesso que eu espetava mais do filme, que
ainda assim é excelente. Como sempre grande profissionalismo no elenco e
direção firme do diretor, de quem sou fã assumido. Em foco a batalha pela
tomada de Iwo Jima e a
cena famosa da foto da bandeira sendo erguida. Sem dúvida aquele foi um
momento épico, que precisava do relevo de um grande diretor. A trilha musical
é linda, daquelas que se deve comprar para ouvir (enquanto escrevo estou a
escutar a música-tema, de partir o coração). Não sei se a presença de
Spielberg na produção influenciou Eastwood, mas a
cena do desembarque copia muito do grande O RESGATE DO SOLDADO RYAN. A guerra
evoluiu com o tempo. Os corajosos combates singulares eram a marca dos
guerreiros tribais antes do surgimento dos impérios e os muitos filmes de cowboys vividos pelo Clint ator
mostram precisamente isso. Roma sepultou definitivamente esse recurso como
arma criando as legiões, fazendo com que a máquina coletiva de combate
sobrepujasse os arroubos individuais de coragem. O filme THE GLADIATOR, de Ridley Scott, é um marco na história do cinema de guerra
precisamente por sublinhar essa passagem da história, na cena inaugural. Os
guerreiros das tribos germânicas fazem combates singulares corajosos,
caóticos e inúteis contra o exército racional de Roma. Na Segunda Guerra a maquinaria
toma conta de tudo e a escala do morticínio torna-se imensa. Poderá haver
algum heroísmo contra bombas atômicas? Máquinas contra máquinas, eis a nova
guerra, matando civis de parte a parte em escala industrial. Mas eis que de
novo é a infantaria que “ganha” a guerra e de novo o combate singular, a
coragem individual, é que faz a diferença entre a vitória e a derrota e,
especialmente, entre quem sobrevive e quem morre Mas a história resvala para a
pieguice. O filme narra o drama de consciência de alguns soldados que foram
escolhidos como garotos-propaganda para arrecadar fundos para financiar a
guerra, supostamente aqueles que fincaram a bandeira no monte de Iwo Jima. O filme intercala o drama
desses soldados, especialmente aquele de origem índia – Ira Hayes, vivido pelo ator Adam Beach)
–, com as cenas de batalha, enfatizando que heróis foram os que pereceram. O
tom épico se perde, dando lugar à pieguice. A narrativa aqui bem poderia ser
outra. Meu pai me contava muitas
histórias do cangaço do sertão, quando eu era criança, e me dizia que o valor
de um homem de coragem se revela no combate de punhais. Clint
parece que ouviu dele os relatos e os pôs na tela. Meu pai que foi sepultado
com sete cicatrizes de punhais, um herói sobrevivente a muitos combates
singulares. |
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