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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
CAMINHO DO TOTALITARISMO 31 de janeiro de 2010 Caro
leitor, ler os jornais diários com atenção leva-nos inevitavelmente ao
desespero. Parece cada vez mais claro que o desfecho das eleições presidenciais
que aproximam terá papel decisivo nos destinos da Nação. São cada vez mais
evidentes os indícios de que a candidata oficial não pode perder, pois um projeto megalomaníaco e totalitário de
poder está em curso e a continuidade do status
quo político é imprescindível para que tal
projeto seja concluído. Desesperador
mesmo é saber que a única candidatura oposicionista, a de José Serra, se não
representa perigo igual por comungar das mesmas crenças e partilhar do
mesmíssimo projeto, quando muito serviria para retardar o desfecho, período
no qual o país poderá ficar ingovernável, vez que toda a burocracia, os
sindicatos, os movimentos sociais, parte considerável dos parlamentares, o
Poder Judiciário, ou seja, todas as instâncias de poder estão sob controle da
agenda política do partido governante e respondem ao seu comando. Um presidente
não pode representar a si mesmo. Para governar teria que levar em conta a
realidade de poder, mais ou menos nos termos que vemos agora Barack Obama no
EUA, que praticamente abandonou sua agenda de campanha, curvando-se à
correlação real de poder. José Serra poderia perfeitamente virar um fantoche
das forças petistas, controladoras de fato do Estado. Com
certo desespero li hoje no Caderno de Economia do jornal Estadão que a Petrobrás,
sozinha, já movimenta mais de 10% do PIB, em face de sua acelerada expansão
dos últimos meses. Some-se a isso a estatização continuada em vários setores
feita pelo PT, a última agora com a ressurreição da Telebrás para prestar
serviços de banda larga, e teremos o descortino de como caminhou a economia
brasileira nos últimos oito anos. O Estado mastodôntico nunca foi tão gigantesco,
nunca tributou tanto, regulou tanto e produziu tanto. O governo tenta agora,
de todas as formas, se expandir por áreas que ainda estão
sob o controle da iniciativa privada, como o de produção de notícias e de
comunicação de entretenimento. Para isso, fez a Confecom.
Para isso está mobilizando todas as suas forças, pois sabe que é questão de
tempo os empresários engajados no setor fazerem oposição aberta e denunciarem
o processo revolucionário, como vimos na Venezuela. Aliás, nem sei por que
não o fizeram ainda e nem pelo que esperam. Cada dia perdido de luta dá uma
vantagem a mais para os inimigos da democracia e da sociedade aberta. A
notícia mais preocupante de hoje trazida pelo Estadão, todavia, é a de que o
governo deverá encaminhar projeto de lei ao Congresso Nacional alterando a
estrutura do Ministério da Defesa, dando ao ministro atribuições que hoje são
competências dos comandantes das Forças. Entre as modificações está a de
escolher os oficiais indicados para promoção e a centralização da compra de
material bélico. Não preciso dizer que esses dois itens são a essência do
poder das Forças. Uma vez uma lei dessas em vigor teremos
as Forças Armadas neutralizadas e o caminho aberto para o totalitarismo franco. Não há muito o que fazer quando os empresários, os oficiais
superiores das Forças Armadas, a Igreja e outras expressões da sociedade
civil nada enxergam de errado nesse movimento no rumo do totalitarismo. Eu
espero o pior. |
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