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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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A
CAMINHO DO RALO 22 de janeiro de 2010 As
notícias econômicas dos últimos dias estão consumando o cenário mais sombrio que
é possível visualizar. A elevação continuada do salário mínimo acima da
produtividade, do salário dos funcionários públicos e dos benefícios do INSS
está agora fazendo visíveis seus efeitos nefastos. A irresponsabilidade
administrativa é agravada pela admissão de milhares de funcionários públicos,
nas três esferas de governos. Está mais do que visível, como nunca pude ver
em toda minha vida de observador, a disparidade gritante entre os salários
oferecidos pelo setor público e os salários pagos pela iniciativa privada.
Uma coisa sem sentido. Obviamente
que tal disparate de política econômica só pode provocar duas conseqüências
imediatas: o estouro nas contas públicas e a deterioração acelerada nas
contas internacionais do país. Os formuladores do PT pensam que estão fazendo
política anticíclica ao submeter a economia
brasileira a essa gastança indecente e injusta, mas o que eles conseguiram
foi tão somente encaminhar o sistema econômico para a ruptura, da qual
estamos bem próximos. O sonho
desses esquerdistas é libertar o mundo da lei da escassez e, no poder,
comportam-se como se não houvesse nem restrição de renda e nem restrição
orçamentária alguma. Como Lula recebeu o país com as contas organizadas, a
inflação sob controle e um franco fluxo positivo de moeda estrangeira a magia
da gastança pôde se manter por algum tempo, gerando
a falsa prosperidade inflacionária. Os sinos de alarme já soaram com o
gigantesco déficit no balanço de pagamentos verificado em dezembro, assim
como nos inquietantes índices de inflação previstos para o mês de janeiro em
curso. Lula se
beneficiou dos surpreendentes efeitos da crise mundial, que reduziram a taxa
de juros internacional e permitiram uma super emissão
mundial de moeda, que muito beneficiaram o Brasil. Muitos dos erros de política
econômica foram encobertos e seus efeitos retardados, mas estes agora virão
com toda força à superfície. Um deles, de grande envergadura, foi
negligenciar a relação comercial com os EUA, país que praticamente deixou de
comprar manufaturados do Brasil. Perder um mercado é fácil, reconquistá-lo é
muito difícil. Talvez levemos década para corrigir essa tolice. O Brasil não
conseguirá manter seus superávits sem voltar a ter no EUA seu principal
mercado. A lei da
escassez se manifesta inexoravelmente nas relações internacionais. No âmbito
interno os governos podem fazer as loucuras que quiserem, mas a conta chega.
Penso que o Brasil vive momentos como aqueles anteriores ao governo
Figueiredo. Depois vieram as maxidesvalorizações, os arrochos salariais, as
restrições às importações. Com isso, tudo se ajeitou. Mas a inflação ficou e
teve que esperar o Plano Real. Lula é um grande irresponsável por assassinar
o Plano Real. Quando os efeitos do novo salário mínimo alucinado, decretado
agora em janeiro, se fizerem presentes a desordem econômica será acelerada.
Sua manifestação mais aguda será na balança comercial e no déficit da
Previdência Social. Se em
2010 houver um repique da crise mundial, com a contração do comércio global e
a fuga de capitais o Brasil novamente estará de joelhos e a bazófia lulista com relação ao Banco Mundial, ao FMI e aos EUA
terá que ser engolida. Novamente poderemos ter uma moratória “soberana”. O
discurso da esquerda é sempre a promessa de que seus líderes sabem como
superar a escassez. Grossa mentira, populismo barato. Sua ação é a
implantação da desordem É o que teremos, de forma inapelável. A política
econômica do esquerdismo é o assassinato da razão, o caminho para a tragédia
coletiva. |
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