A moda, à parte o seu caráter frívolo e por vezes esnobe, pode ser um
bom instrumento para a compreensão sociológica e psicológica sobre os grupos
humanos. Ela reflete não apenas os
costumes, mas também a moral vigente. A moda do vestuário é o
invólucro do corpo e, como tal, dá a perceber como as coisas mundanas são
vividas pelas pessoas. Na chamada Era Vitoriana, por exemplo, com forte
influência do puritanismo religioso, as vestes procuravam ocultar o corpo, em
consonância com a máxima de que no mesmo estava o pecado. O corpo era
envolvido pelas vestes partindo da suposição de que o mesmo se opunha às
coisas do espírito, cabendo portanto ocultá-lo,
antes que embelezá-lo. Dito de outra forma, embelezá-lo
era ocultá-lo. O pecado afinal é algo feio.
O século XX trouxe o relativismo moral trabalhado politicamente, seja pela
chamada revolução sexual, que partiu de certa leitura da obra de Freud por
seus epígonos, como Marcuse e Reich, seja pela
ação política baseada na obra de Gramsci, a partir da disseminação dos ideais
coletivistas de corte marxista. Esses movimentos sempre tiveram os valores
cristãos como seu inimigo declarado, especialmente a sua ética
individualista, a qual, em tudo e por tudo, opõe-se aos ideais coletivistas.
Meditei sobre isso ao observar as tendências de moda da atualidade. O jeans
virou o uniforme de gado para praticamente toda a juventude. Mais
recentemente não apenas esse tecido, mas outros, são
utilizados agora propositadamente para a confecção de peças rasgadas e
remendadas, um acinte ao bom gosto. Pagam-se fortunas por roupas
esfarrapadas, que fariam corar de vergonha as nossas avós. Da mesma forma, o
uso indiscriminado de tecidos transparentes, de roupas curtíssimas que
desnudam ventres, pernas e regiões genitais, são tidas
como socialmente aceitáveis e sinônimo de bem vestir. Estar na moda é desnudar o corpo e parecer esfarrapado.
Hoje em dia é impossível distinguir, pelo vestuário, uma moça de família de
uma profissional do sexo. Talvez até mesmo pelas licenças que se dão, uma por dinheiro, outra por puro hedonismo.
De uma tacada só homogeneizou-se o
vestuário coletivo, destruiu-se a moral cristã e identificaram-se as pessoas
ricas com os pobres, ao imitar os seus remendos e os seus farrapos. Além do
preço, a única coisa a distingui-los é a etiqueta de origem. Não dá
para não perceber a motivação política na forma de se vestir.
A alta costura, então, é algo digno de estudo. Farrapos, mau gosto, cores
berrantes, nudez supostamente vestida, tudo combinado só mostra que o ramo da
moda está todo ele tomado pelos niilistas, inimigos declarados dos valores
cristãos. É como se seus criadores quisessem contribuir para a revolução
mundial pelo uso e abuso da exibição da peças íntimas do vestuário, em
exposição despudorada das genitálias. O fenômeno é mundial.
O gado que se homogeneizou pela moda
é ainda mais igual por dentro do que por fora. Não há mais
individualidades, mas uma multidão de zumbis, obediente ao deus Dionísio
renascido, cultuado pelos sacerdotes do coletivismo. Quais mênades modernas, as multidões embriagam-se
nas orgias se sexo, drogas e violência.
Dionísio, diga-se de passagem, é associado na mitologia cristã ao próprio
Diabo. Maisnãoprecisa ser dito.