NIVALDO
CORDEIRO: um espectador engajado
A BARBÁRIE
NOS TEMPOS MODERNOS
28/01/2004
A moda, à parte o seu caráter frívolo e por vezes esnobe, pode ser um
bom instrumento para a compreensão sociológica e psicológica sobre os grupos
humanos. Ela reflete não apenas os
costumes, mas também a moral vigente. A moda do vestuário é o invólucro
do corpo e, como tal, dá a perceber como as coisas mundanas são vividas pelas
pessoas. Na chamada Era Vitoriana, por exemplo, com forte influência do
puritanismo religioso, as vestes procuravam ocultar o corpo, em consonância com
a máxima de que no mesmo estava o pecado. O corpo era envolvido pelas vestes
partindo da suposição de que o mesmo se opunha às coisas do espírito, cabendo portanto ocultá-lo, antes que embelezá-lo. Dito de outra
forma, embelezá-lo era ocultá-lo. O pecado afinal é
algo feio.
O século XX trouxe o relativismo moral trabalhado politicamente, seja pela
chamada revolução sexual, que partiu de certa leitura da obra de Freud por seus
epígonos, como Marcuse e
Reich, seja pela ação política baseada na obra de Gramsci, a partir da
disseminação dos ideais coletivistas de corte marxista. Esses movimentos sempre
tiveram os valores cristãos como seu inimigo declarado, especialmente a sua
ética individualista, a qual, em tudo e por tudo, opõe-se aos ideais coletivistas.
Meditei sobre isso ao observar as tendências de moda da atualidade. O jeans
virou o uniforme de gado para praticamente toda a juventude. Mais recentemente,
não apenas esse tecido, mas outros, são utilizados
agora propositadamente para a confecção de peças rasgadas e remendadas, um
acinte ao bom gosto. Pagam-se fortunas por roupas esfarrapadas, que fariam
corar de vergonha as nossas avós. Da mesma forma, o uso indiscriminado de
tecidos transparentes, de roupas curtíssimas que desnudam ventres, pernas e
regiões genitais, são tidas como socialmente
aceitáveis e sinônimo de bem vestir. Estar
na moda é desnudar o corpo e parecer esfarrapado.
Hoje em dia é impossível distinguir, pelo vestuário, uma moça de família de uma
profissional do sexo. Talvez até mesmo pelas licenças que se dão,
uma por dinheiro, outra por puro hedonismo.
De uma tacada só homogeneizou-se o
vestuário coletivo, destruiu-se a moral cristã e identificaram-se as pessoas
ricas com os pobres, ao imitar os seus remendos e os seus farrapos. Além do
preço, a única coisa a distingui-los é a etiqueta de origem. Não dá para
não perceber a motivação política na forma de se vestir.
A alta costura, então, é algo digno de estudo. Farrapos, mal
gosto, cores berrantes, nudez supostamente vestida, tudo combinado só mostra
que o ramo da moda está todo ele tomado pelos niilistas, inimigos declarados
dos valores cristãos. É como se seus criadores quisessem contribuir para a
revolução mundial pelo uso e abuso da exibição da peças íntimas do vestuário, em
exibição despudorada das genitálias. O fenômeno é mundial.
O gado que se homogeneizou pela moda é
ainda mais igual por dentro do que por fora. Não há mais
individualidades, mas uma multidão de zumbis, obediente ao deus Dionísio
renascido, cultuado pelos sacerdotes do coletivismo. Qual mênades
modernas, as multidões embriagam-se nas orgias se
sexo, drogas e violência.
Dionísio, diga-se de passagem, é associado na mitologia cristã ao próprio
Diabo. Mais não precisa ser dito.