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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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ABERTURA DA CONFECOM 14 de dezembro de 2009 A abertura da 1ª CONFECOM agora
à noite foi além das minhas piores expectativas. A platéia, basicamente
tomada por militantes esquerdistas, é a própria materialização do homem-massa
no poder. O clima era de festa, lembrava um show de auditório. Por várias
vezes soaram aplausos como se fosse um show de artista popular, tentando
apressar o início dos trabalhos. O popstar
naturalmente é Lula. Com atraso de quase uma hora finalmente o artista
apareceu, seguido pelo séquito. A platéia, à vista do líder, delirou. Na mesma proporção apupou o ministro Hélio
Costa. O coro “Fora Rede Globo, o povo
não é bobo” foi várias vezes executado por vasta parte da platéia. O clima, o tom dos discursos e mesmo a fala do Lula me levaram a
acreditar que não haverá como enfrentar a maré vermelha sem que se faça
esforço equivalente no campo democrático em sentido contrário. A tática das
empresas de comunicação de ignorar a CONFECOM foi um grande erro de cálculo.
Ao ouvir os discursos ficou muito claro para mim que essas empresas precisam
mobilizar a opinião pública a favor da economia de mercado e da sociedade
aberta. Não adianta esperar e pagar para ver a conspiração da malta
esquerdista. Ouvir os discursos e os rosnados da platéia contra o mercado
levou-me a concluir mais ainda pela urgência de mobilização de massa em
defesa da civilização. Talvez já não haja mais tempo para resultados
práticos, mas a alternativa é a passividade que abandona o espaço público
para o monopólio do proselitismo esquerdista. Não custa lembrar aqui que o Hino Nacional não foi executado,
mesmo estando presente o presidente da República, em um prédio público
abrindo um evento oficial público. O discurso inaugural foi feito pelo Celso
Schröder, secretário geral da FNDC –
Fórum Nacional pela Democratização das Comunicações. Um discurso carbonário,
que se iniciou com a homenagem a Daniel Herz, cujos
filhos receberam de suas mãos uma placa comemorativa. Quem foi Daniel Herz? Foi o fundador do FNDC e
primo de Tarso Herz Genro, o ministro da Justiça.
Esses sujeitos queriam uma CONFECOM à época da Constituinte, intento
finalmente realizado agora. Foi exibido um vídeo com as imagens de Daniel
Hertz em momentos carbonários. Como se vê, a CONFECOM é resultado desse
esforço de décadas liderado pela república petista de Santa Maria. O que eles querem? Querem destruir a empresa privada que
prevalece na produção de notícias e também na infra-estrutura de
comunicações. Querem pulverizar e controlar a geração de conteúdo. Não
escondem suas más intenções. Na verdade, o raciocínio aplicado é sempre o da
luta de classes e os empresários são tidos como inimigos a ser destruídos.
Por isso os empresários são sempre apresentados como “conservadores”, em
oposição a eles, que se têm por “progressistas”. Foi
lembrado em outro discurso que essa é a primeira CONFECOM e que uma das suas
tarefas é marcar já a próxima, para manter o clima de mobilização. Saí com a
sensação de que isso será feito. Até aqui o esperado. A maior surpresa foi ver o João Jorge Saad estar na mesa e fazer uso da palavra, não apenas
apoiando o evento, mas fazendo referência elíptica ao concorrente Rede Globo
(que adotou a técnica do silêncio e da omissão), fato que arrancou da platéia
fortes aplausos. Sentou-se ao lado do ministro da Propaganda Franklin
Martins, seu antigo auxiliar na Rede Bandeirantes.
Achei aquilo surpreendente, sinalizando para uma situação de adesão ao
petismo que só enfraquece o já combalido setor empresarial. O ministro Hélio Costa quase não concluiu sua fala, dado o nível
dos apupos continuados e implacáveis de que foi objeto. Vê-se que não adianta
jogar com as cartas dos inimigos, pois eles não querem que Helio Costa seja o
ministro. Fiquei com a impressão de que o Plano Nacional de Banda Larga a ser
aprovado será muito diferente daquele apresentado pelo ministro. De novo fica
claro que a adesão pode ser inócua do ponto de vista dos interesses
estratégicos da classe empresarial. Lula estava muito descontraído e o achei mais magro. Falante, prolongou
o discurso e ao final foi ovacionado. Tem a liderança total sobre os
militantes. É seu ídolo, o homem-massa no poder. Insistiu que cabe à CONFECOM
fornecer as “propostas” para atualizar os marcos
legais do setor de comunicações. Implícito que o papel legislativo do
Congresso Nacional ficaria usurpado pela Conferência, não lhe restando
alternativa que não aprovar as “propostas”. Na mesa estava Michel Temer e a
significativa ausência do representante do Senado. Meu caro leitor, saí do centro de convenções
apreensivo. As esquerdas estão com muita disposição para transformar o setor
de comunicações. E estão cônscias de seu poder. Aqui será o setor que por
primeiro terá que se indispor com o poder petista. A recusa das empresas de
conteúdo de participarem do evento é um sinal forte de que o instinto de
sobrevivência pode ter falado. O passo decisivo será fazer resistência ativa,
que tarda. O poder de Estado poderá desabar sobre as empresas do setor. É o
Estado o maior anunciante, o maior financiador e o que controla as polícias e
os órgãos reguladores. O confronto já diz quem será o vencedor, pelo menos
dos primeiros movimentos. Quem sabe desse confronto possa se organizar
finalmente uma força capaz de fazer frente aos bolcheviques. |
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