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NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado |
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80 ANOS DE FHC 19/06/2011 Tenho que escrever algumas palavras sobre a
passagem do natalício de Fernando Henrique Cardoso, data que até rachou o elo
entre Lula e seu poste, Dilma. Esta ousou homenagear o aniversariante. Mas
Lula tem o motivo mais pragmático para espinafrar seu antecessor: continua
sendo FHC a única personalidade capaz de enfrentá-lo nas urnas e vencê-lo.
FHC é antípoda de Lula: não é populista, é poliglota (Lula semiglota), tem a estima da elite (Lula a suspeição,
apesar de a elite fazer negócios alegremente com os petralhas).
Dilma ainda não se achou na Presidência e não descobriu como se relacionar
com os três pedestais do seu poder: seu padrinho Lula, seu partido, o PT, e
seu aliado ocasional, o PMDB, daí as crises recorrentes. Mas ambos, Lula e
FHC, concordam no estratégico: estão a serviço do governo mundial. Mas voltemos ao ponto principal. Resolvi
comentar a efeméride inspirado no artigo de Celso Lafer
(FHC
AOS 80), texto notavelmente laudatório, até mesmo hiperbólico e, por
isso, além da realidade. Julgo necessário fazer um balanço mais realista da
biografia do ex-presidente. FHC, ao fundar o CEBRAP nos idos de 1969,
introduziu no Brasil a agenda globalista e
impulsionou enormemente a agenda da revolução gramsciana
já então em curso. O CEBRAP tornou-se um think tanker que formou gerações de intelectuais militantes,
cujo sucesso histórico é indiscutível e a maior prova é a sua própria chegada
ao poder, secundado por Lula. Sim, FHC é portador de agudo intelecto, mas
colocou seus talentos contra o Brasil e a favor do governo mundial, contra os
valores tradicionais e favor da deletéria agenda globalista.
Não ao acaso o octogenário FHC é agora publicamente um defensor da liberação
do consumo das drogas, com ênfase na maconha, de que foi apontado usuário pelo
saudoso Jânio Quadros. O sucesso na estabilização da moeda é menos
seu sucesso pessoal do que o da brilhante equipe de economistas que formou e
em quem acreditou. Seu sucesso com o Plano Real foi, por assim dizer,
passivo. Louvo mais pessoas como Gustavo Franco, Edmar Bacha
e seus colegas do que o príncipe Fernandão. Toda obra de FHC é um reescrever contínuo da
pregação igualitarista inspirada em Rousseau, essa
mentira filosófica e teológica que serviu de mantra para a chegada das
esquerdas ao poder. Quando nos damos conta de que o igualitarismo rousseauniano é empulhação é que vemos o tamanho do
veneno contido em toda obra fernandista. E, tenho
certeza, FHC sabe-se um empulhador. Confessou-o. Suas
declarações ao chegar ao poder (“Esqueçam
o que escrevi”) mostram perfeitamente a sua clareza intelectual. Da sua
empulhação igualitarista FHC sempre soube ser mero
engodo eleitoral e palavra de ordem para a mobilização dos intelectuais orgânicos
formados por ele mesmo e sua instituição, o CEBRAP. Aqui se revela o elemento
estóico de sua própria filosofia, que fica oculta ao observador desavisado. FHC é a personalidade mais importante do
Brasil na segunda metade do século XX, não pelo bem que fez, mas pelo mal que
praticou. Ele cometeu o terrível erro de avaliação de todos os que abraçaram
a social-democracia, de achar que chegam ao poder, cavalgando na mentira igualitarista, e nele conseguirão manter-se. Ora, eles
sempre serviram e servirão de abre-alas da revolução. Nas suas pegadas sempre
virão os “verdadeiros” socialistas. O mal legado por FHC talvez exija dos
brasileiros um preço como os alemães pagaram para se livrar de Hitler e do
nazismo. A coisa é tão dantesca que um intelecto
superior como Celso Lafer é, ele próprio, um
enganado, um defensor da falsa tese dos direitos humanos, essa baboseira
derivada do jusnaturalismo e agora empolgada pelos
revolucionários globalistas encastelados na ONU. É
claro que Celso Lafer não está disposto a fazer o
gesto de FHC e repetir o “esqueçam o
que escrevi”. Repudiaria toda a existência intelectual e política.
Confessaria um grandioso fracasso existencial. Enfim, os 80 anos de FHC servem para a gente
se lembrar de quem é a autoria da tragédia brasileira, da qual estamos a
viver apenas a alvorada. Tempos de grandes perigos. |
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